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– A Expansão Marítima –

Publicado: agosto 28, 2012 por ' Carolina Araújo em ' Ciências Humanas E Suas Tecnologias., História

Embora o imaginário da época atribuísse ao Oceano Atlântico toda sorte de monstros e lendas, os europeus, entre os séculos XV e XVI, venceram o medo e lançaram-se ao mar num processo que ficou conhecido como expansão marítima ou Grandes Navegações. No início da Era Moderna, uma série de transformações e acontecimentos criou um cenário que impulsionou as chamadas Grandes Navegações. Entre os fatores que contribuíram para o expansionismo marítimo, destacam-se :

As Especiarias : Artigos de luxo, como gengibre, pimenta, marfim, sedas chinesas, canela, dentre outros, eram bastante apreciados pela elite europeia. As cidades de Gênova e Veneza, na Península Itálica, detinham o monopólio de comercialização das chamadas especiarias orientais, tornando o preço desses produtos ainda mais elevados no continente. Buscando um caminho alternativo para as Índias (Oriente) , onde poderiam comprar as especiarias sem o intercâmbio dos mercadores italianos, portugueses e espanhóis deram início à expansão.

Busca Por Metais Preciosos : Tais produtos eram pagos com os metais (ouro e prata) e pedras preciosas, porém, as reservas europeias davam sinais de esgotamento, no século XIV, provocando a diminuição de moedas em circulação. Estas eram fundamentais à compra das mercadorias e ao fortalecimento dos Estados Nacionais – para a manutenção da burocracia estatal e do exército permanente. Dessa forma, a busca por novas fontes desses metais esteve presente nas embarcações que empreederam as Grandes Navegações.

A Difusão Da Fé : Instituição mais poderosa do período medieval, a Igreja Católica sofreu fortes críticas provenientes dos pensadores renascentistas e da Reforma – esta última responsável por quebrar o monopólio católico na cristandade europeia. Em virtude do rápido avanço das doutrinas dos reformadores – chamados de protestantes – , a Igreja reagiu com um movimento denominado de Contra-Reforma, objetivando deter a expansão do protestantismo e a reafirmação da doutrina católica. Nessa conjuntura, as Grandes Navegações abriram caminho para a conversão de novos fiéis para o catolicismo.

Novas Tecnologias Náuticas : A expansão marítima foi um enorme empreendimento, uma vez que os europeus, naquele momento, pouco sabiam a respeito dos oceanos e da geografia terrestre. O desenvolvimento e aperfeiçoamento de instrumentos de localização, como o quadrante, o astrolábio e a bússola, e de embarcações (a caravela, por exemplo) permitiram a navegação em alto-mar. Os receios quanto aos perigos dos mares não impediram que portugueses e espanhóis, no raiar dos tempos modernos, procurassem novas rotas para as Índias, visando à ampliação do comércio das especiarias, à obtenção de riquezas e à propagação do cristianismo. Antes de finalmente chegarem ao Oriente por um caminho diferente, os europeus, descobriram um mundo novo, a América, onde os objetivos que impeliram a expansão marítima foram alcançados

2. AS CARACTERÍSTICAS DAS COLONIZAÇÕES ESPANHOLA E PORTUGUESA NA AMÉRICA

Portugal foi o pioneiro no processo expansionista marítimo, chegando às Índias em 1498, depois de contornar o continente africando e alcançar o Oceano Índico. Antes disso, em 1492, a Espanha patrocinou o navegador Cristóvão Colombo no seu projeto de navegar pelo Ocidente para atingir o Oriente, em vez disso, ele desembarcou em terras desconhecidas, que mais tarde receberiam o nome de América. Em 1494, o Tratado de Tordesilhas repartiu o novo continente entre aqueles dois reinos ibéricos.

Dentro da política mercantilista, a função de uma colônia era gerar riquezas para a sua metrópole, fortalecendo dessa maneira o Estado. Por meio de um pacto de exclusividade, as colônias deveriam comercializar unicamente com a respectiva metrópole, da qual compravam mercadorias variadas, além de fornecer produtos cujo comércio na Europa poderia render vultosos lucros.

A forma como cada Coroa procedeu na explooração e administração das possessões coloniais variou. Vejamos as características da colonização empreendida pela Espanha e por Portugal em seus domínios na América.

 

CARACTERÍSTICAS

COLONIZAÇÃO ESPANHOLA

COLONIZAÇÃO PORTUGUESA

– Administração

Descentralização

Centralização

– Mão de Obra

Indígena (por meio da encomienda e mita)

Africanos (escravidão)

– Atividade Econômica Inicial

Mineração

Agricultura

O Brasil é aclamado no mundo inteiro por suas belezas naturais e por sua grande diversidade cultural. Vários povos, ao longo da história brasileira, contribuíram para a formação étnico-cultural do nosso país. Elementos das culturas europeia, indígena e africana encontraram-se e mesclaram-se num processo de miscigenação (mistura de diversos elementos culturais em relações inter-raciais) , do qual resultou a diversificada base cultural do povo brasileiro.

1.1 A Cultura Européia

Com a superioridade militar, na América portuguesa, o português conquistador e colonizador soube estender a dominação do homem branco sobre as populações nativas e, ainda no século do descobrimento, sobre os imigrantes forçados que chegavam da África, os escravos negros. Em seu território do Novo Mundo, os lusitanos transplantaram ou adaptaram a organização socioeconômica e cultural do reino : aparelho administrativo, sistema econômico, costumes, vestimentas, construção e arranjo da casa. Além disso, a religião cristã e o idioma dos portugueses impuseram-se sobre a diversidade religiosa e linguista dos povos dominados.

1.2 A Contribuição Indígena

Quando, em meados de Abril de 1500, os portugueses aportaram em terras americanas – que futuramente dariam origem ao Brasil – , aquele território desconhecido já era habitado por uma gente, indistintamente, chamada de índios pelos europeus. Iguais e, ao mesmo tempo, diferentes aos portugueses, os indígenas possuíam grande diversidade cultural, que, com o avanço da colonização, foi sendo reduzida devido à ação de diversos fatores (como o extermínio dos nativos, a catequese e o processo de aculturação dos indígenas) . Apesar disso, muitos elementos da cultura indígena permanecem vivos até hoje em nossa sociedade : na culinária ; no vocabulário ; no nosso folclore com lendas e mitos ; em hábitos como dormir em rede ou o gosto por tomar banho.

1.3 O Legado Vindo Da África

Desde o século XV, Portugal utilizava escravos africanos nas lavouras de cana de açúcar na ilha da Madeira, sendo tal modelo implantado na colonização do Brasil. Compulsoriamente arrancado de suas terras, o cativo negro era obrigado ao batismo e à adoção de um nome cristão, renegando suas crenças e cultura anteriores. No entanto, os africanos encontraram formas de resistência à dominação européia, fornecendo significativas contribuições à constituição sociocultural brasileira, como na culinária, na introdução de vocábulos, na religiosidade, nas manifestações artísticas (dança, música e instrumentos musicais) .

2. O QUE É PATRIMÔNIO CULTURAL ?

Na Roma Antiga, o termo patrimônio (patrimonium) era empregado para designar as propriedades herdadas do pai ou dos antepassados. Hoje ele ainda conserva o sentido de herança, mas diz respeito a uma variedade grande de bens deixados por indivíduos, instituições e sociedades para as gerações futuras. A Constituição brasileira de 1988 estabeleceu que o patrimônio do Brasil é constituído pelos bens materiais e bens imateriais, os quais se referem à identidade, à ação e à memória de diferentes grupos formadores da sociedade brasileira.

Concebido dessa forma, o patrimônio brasileiro abrange tanto formas de expressão da chamada cultura erudita – um saber institucionalizado, produzido em academias, bibliotecas, conservatórios de música, etc. – quanto da cultura popular (produto de um saber não institucionalizado, isto é, daquilo que não se aprende em colégios ou academias) , abarcando e valorizando a enorme diversidade étnico-cultural do Brasil.

2.1 Cultura Material

Compreende a parte concreta, física do patrimônio cultural, isto é, tudo aquilo fabricado ou modificado pela ação humana. Expressa, portanto, o grau de tecnologia, as técnicas, normas e costumes que determinam a confecção/criação de um dado objeto pelo homem. Obras arquitetônicas, sítios urbanos, pinturas, paisagens, arte sacra, artefatos líticos, vestígios arqueológicos, por exemplo, enquadram-se nessa categoria.

2.2 Cultura Imaterial

O patrimônio cultural de um povo não é composto apenas por obras da cultura material, isto é, daqueles elementos tangíveis, palpáveis, físicos. Ele também representa formas de expressão de um grupo (manifestações musicais, literárias, lúdicas) saberes e modos de fazer (práticas) , lugares (mercados, santuários, por exemplo) e celebrações (rituais e festas) . Transmitida oral e gestualmente de geração para geração, essa porção intangível da cultura humana recebe o nome de cultura imaterial. Na lista de bens imateriais registrados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, figuram : O ofício das Baianas de Acarajé, o toque dos Sinos em Minas Gerais, o samba de roda Recôncavo Baiano, a eira de Caruarú, o Círio de Nossa Senhora de Nazaré e a Festa de Sant’Ana de Caicó.